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"QUANTO MAIS ME ELEVO,MENOR EU PAREÇO AOS OLHOS DE QUEM NÃO SABE VOAR." (FRIEDRICKH NIETZSCHE)
Enche-me com o teu Espírito endireita os meus caminhos ó Deus, dá-me um novo coração.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

"Coisa triste na vida é casa vazia. Ela pode estar cheia de móveis e bem decorada, mas se não há o som de panelas sobre o fogão no preparo do almoço para alguém que espera, a casa é lembrança e triste quimera. Se não há o tropel de crianças e nem o volume alto do aparelho de som no quarto do filho adolescente, então a casa se encheu da fumaça densa que se chama saudade. Se nela não visita o parente, se pela manhã as janelas não se abrem, se nem mesmo o barulho da cadeira de balanço do idoso se ouve ali, então a casa é um número na rua, passado somente, tristeza que cresce dentro da gente."

Lindo, não é mesmo? Traz sensações em quem já viveu tudo isso. A correria da criançada, a casa cheia, as roupas no varal, o cheirinho de comida feita na hora, a gritaria dos adolescentes exigindo seus direitos e se esquecendo de seus deveres... É; tudo isso marca uma vida para sempre. Na hora em que acontece, muitas vezes, incomoda. Depois, traz uma saudade danada, diante do vazio que se instaurou.

Isso é muito comum acontecer, principalmente quando os filhos passam a morar fora. Desde a infância até a adolescência é uma trabalheira imensa pra se acostumar com aquele "serzinho" que exige tudo e mais um pouco. Você abre mão do seu espaço, cultiva maior paciência, treina a flexibilidade, aprende a suportar som alto, e quando já ficou "expert" em tudo isso, seu filho vai embora, bem longe de você, quer para estudar fora quer para constituir uma nova família. Poxa, isso não parece nada justo, hein! Logo agora que você já estava tão acostumado, vem a vida e lhe dá uma rasteira dessas. A casa fica vazia!

Perde-se a vontade de fazer comida, porque já nem se sente fome. A saudade parece ocupar o pensamento e o estômago. Surge o desânimo, e as noites passam a ser mais compridas, pois o sono não aparece. Sensações esquisitas e temores estranhos surgem do nada. Um medo que antes não existia passa a fazer parte do dia a dia, como presságios de coisas que nos angustiam possam acontecer repentinamente. Ai, ai... Casa vazia lembra assombração e filho distante angustia o coração.

A boa notícia é que quase todo mundo passa por isso, portanto, não há motivo para se desesperar. O tempo, como bom amigo que é, encarrega-se de levar para longe até mesmo essas lembranças quando elas tiverem cumprido a sua finalidade. E qual é ela? Não sei exatamente. Talvez, seja a de mostrar como nossos filhos são realmente importantes em nossas vidas, ou de como uma situação incômoda se transforma numa lembrança saudosa; ou ainda como nosso coração é espaçoso e necessita constantemente ser preenchido com dar e receber. 

Se o seu só está dando é hora de receber; se só está recebendo, com certeza, é hora de dar. Precisamos movimentar a roda viva das paixões em nosso peito. Afinal, daqui a pouco a casa pode estar cheia novamente. Noras, genros, netos, cachorro e papagaio...

Ainda que o vazio seja definitivo, como no caso da perda de um ente querido, não permita que a casa se encha apenas de lembranças. Cultive um jardim, adote um animalzinho de estimação, auxilie crianças carentes ou idosos abandonados. 

Mãos foram feitas para mutuamente se aquecer e realizar feitos grandiosos, como enxugar uma lágrima ou proporcionar uma alegria. E para os que têm hoje a casa cheia, não permitam que ela fique vazia. Semeiem desde já os frutos que desejam colher amanhã. E boa colheita!



Reverendo Célio Teixeira Júnior

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