Cascatinha & Inhana,
Fonte:http://roberto-musikal.blogspot.com
Se eu pudesse apertar a tecla “retroceder” do HD do meu cérebro e procurar o registro musical mais antigo,certamente iria parar na música MEU PRIMEIRO
AMOR,com “Cascatinha & Inhana”.
Não consigo ir mais atrás,não há registro musical para mim antes disso; pelo menos, que eu lembre. Não me parece ter ouvido outra música antes desta.
Evidentemente, não sei precisar a idade que eu tinha, mas lembro desta música no ar, saída de algum rádio, ou cantada por alguém...não sei.
Esta lembrança sempre me acompanhou de maneira muito forte e muito clara, de alguma época da minha infância com muito sol, céu azul, muito verde em volta, e esta música no ar; e para mim isto é o bastante.
A nostalgia que sinto hoje quando ouço MEU PRIMEIROAMO
R, é a mesma que eu sentia na época, só que eu não sabia o que significava esta palavra, este sentimento difuso e pulverizado, como se fosse uma tristeza alinhavada com saudade de alguma coisa ou de alguém...Por estes motivos, esta música está para mim naquela categoria acima do bem e do mal, do brega, do chic, do cult ou do rastaqüera, do feio ou do bonito. É MEU PRIMEIRO AMOR, é“Cascatinha & Inhana” e ponto. Isso basta.
AMOR,com “Cascatinha & Inhana”.Não consigo ir mais atrás,não há registro musical para mim antes disso; pelo menos, que eu lembre. Não me parece ter ouvido outra música antes desta.
Evidentemente, não sei precisar a idade que eu tinha, mas lembro desta música no ar, saída de algum rádio, ou cantada por alguém...não sei.
Esta lembrança sempre me acompanhou de maneira muito forte e muito clara, de alguma época da minha infância com muito sol, céu azul, muito verde em volta, e esta música no ar; e para mim isto é o bastante.
A nostalgia que sinto hoje quando ouço MEU PRIMEIROAMO
R, é a mesma que eu sentia na época, só que eu não sabia o que significava esta palavra, este sentimento difuso e pulverizado, como se fosse uma tristeza alinhavada com saudade de alguma coisa ou de alguém...Por estes motivos, esta música está para mim naquela categoria acima do bem e do mal, do brega, do chic, do cult ou do rastaqüera, do feio ou do bonito. É MEU PRIMEIRO AMOR, é“Cascatinha & Inhana” e ponto. Isso basta.Eles se conheceram romanticamente numa pracinha de interior. Mais precisamente na Praça Central de Araras, no interior do estado de São Paulo.
Ela, morava ali e cantava nesta praça com o serviço de alto-falante, junto com sua irmã, Maria das Dores. Ela ainda era conhecida por Ana Eufrosina da Silva Santos, era noiva fazia mais de ano, e ia casar dali a alguns meses.
Ele, Francisco dos Santos, estava de passagem pela cidade e estava na praça fazendo divulgação do circo em que trabalhava e que tinha recém chegado ali.
Foi amor à primeira vista, diriam mais tarde. Tanto é que depois desta tarde, desta pracinha e da troca de alguns olhares lânguidos e compridos, 5 meses depois estavam c
asados contra a vontade da família de Ana, é claro, pois como era costume se dizer na época,“artista tem um amor em cada cidade”...
Ele nasceu em 1919 e após a morte de seu pai, vai com a família para Marília [SP]. Como era um menino que gostava de música e era agitado, logo entra na banda local. Aos 18 anos além da Banda de Marília, começa a fazer parte de outro conjunto, como cantor e baterista.
Chega um circo na cidade, e ele consegue ser contratado pelo “Grande Circo Nova York”...
Faz logo uma amizade com o malabarista, de nome Natalício , passam horas a fio conversando durante o dia, e nos intervalos dos ensaios; nosso herói então, resolve aprender violão. Tocam e cantam juntos, então decidiram que poderiam formar uma dupla.
Natalício se chamaria CHOPE [de chopp] eFrancisco se chamaria CASCATINHA, que era o nome de uma cerveja bem conhecida e popular na época, sendo a
preferida de Noel Rosa, por exemplo...
Existe uma outra versão, menos provável, para a origem do nome CASCATINHA: diz a lenda que quando ele era pequeno, gostava de cabular aula para se meter no meio do mato e tomar banho em uma pequena cascata que havia...
As fontes variam as informações; umas dão uma versão da origem do apelido, e outras, dão a outra.
Seja lá como for, aqui fica o registro...
Foi então que CHOPE & CASCATINHA passam por Araras para divulgar o “Grande Circo Nova York” onde trabalhavam
E nosso herói conhece Ana na tal pracinha que falei lá em cima...o ano era 1941.
Com CASCATINHA apaixonado e tendo se casado 5 meses depois deste encontro, a dupla inicial virou o TRIO ESMERALDA, já que agora tinha uma voz feminina.Vão para o Rio de Janeiro, e se apresentam num programa de calouros famoso na época: PAPEL CARBONO, de Renato Murce, que ia ao ar pela Rádio Nacional.
No Rio, houve um desentendimento sério entre CHOPE & CASCATINHA, e Chope resolve abandonar o trio e voltar para São Paulo.
O problema é que eles tinham um show marcado para aquela noite em Volta Redonda, e não poderiam se apresentar mais como trio.
Então Cascatinha tem a idéia de batizar Ana de “INHANA”, para intencionalmente ter um som mais de interior, mais caipira. Assim, surgiu a dupla CASCATINHA & INHANA.
No Rio,
em 1947, são contratados pelo circo “Estrela D’Alva”, que excursiona por São Paulo, onde nossa dupla é contratada pela Rádio Bauru, sob um contrato de 1 ano.
Na capital de São Paulo, cantam por um bom tempo na Rádio América e em 1950 fazem parte do “cast” da Rádio Record, a emissora mais poderosa da época, onde assinam um contrato de 12 anos !
Em 1951, gravam seu primeiro disco, LA PALOMA, mas foi no ano seguinte, 1952, o grande est
ouro da dupla, quando seu segundo disco, um 78 rpm, traz de um lado MEU PRIMEIRO AMOR e do outro ÍNDIA, todas duas eram versões de músicas paraguaias.
O sucesso de vendagem deste disco, foi uma coisa sem precedentes, que pegou todo mundo de surpresa, até mesmo despreparado, para a
repercussão que isto causou, principalmente pela época, que nem todas as casas tinham um aparelho de tocar discos. O rádio ainda era o grande astro como eletrodoméstico musical...
Foi neste período da Rádio Record que CASCATINHA & INHANA ganharam o apelido que carregaram para sempre: OS SABIÁS DO SERTÃO.
Fizeram muito sucesso, foram muito premiados, e chegaram a ganhar
3 ROQUETE PINTO, em 1951, 1953 e 1954.
Ganharam 6 DISCOS DEOURO, o que significava muito para época , e principalmente tendo-se em mente também o gênero musical. Não era comum cantores de música sertaneja [sertão do Brasil, e não sertão de Nashville, nos Estados Unidos]venderem tanto, receberem tantos prêmios e ganharem tantas capas de revista como nossa dupla ganhou.
Gravaram 34 discos de 78rpm, o que dá um total de 68 músicas, e mais 30 LP’s.
Os especialistas em música vocal e críticos da época, sempre elogiaram muito o timbre e a afinação de Inhana, e o casamento perfeito das vozes dos dois.
O belo timbre de soprano dela, aliado à uma sofisticada “segunda voz” dele, produziram um resultado sonoro da mais alta qualidade técnica.
Nos anos 70 as vendas de seus discos começam a cair vertiginosamente, e Cascatinha resolver ser dono de um circo, plano que não deu muito certo, pois em pouco tempo
perdeu tudo. Faz então shows mambembes pelo interior, para arrecadar dinheiro e refazer o caixa do casal.
Na cidade de São Paulo, em 1978 montam o espetáculo “ÍNDIA”, noteatro Alfredo Mesquita, onde intercalavam números musicais com suas histórias de vida.
Em junho de 1981, quando fariam um show no Maracanã, para comemorar tantos anos de casamento e carreira musical, Inhana tem um ataque cardíaco aos 57 anos, caminhando pelas ruas de São Paulo.
Assim, desta maneira trágica, a dupla OS SABIÁS DO SERTÃO chegaria ao fim...
Cascatinha, ainda continuou se apresentando sozinho em shows pelo interior, e em algum programa de tv dedicado a este segmento musical, mas morre em 1996, em conseqüência de uma cirrose hepática.
Mas suas músicas ainda estão por aí, ainda podemos encontrar seus discos, que tenho certeza, continuarão a trazer belas lembranças a ouvintes comuns, assim como eu, em algum lugar neste imenso Brasil.
Ela, morava ali e cantava nesta praça com o serviço de alto-falante, junto com sua irmã, Maria das Dores. Ela ainda era conhecida por Ana Eufrosina da Silva Santos, era noiva fazia mais de ano, e ia casar dali a alguns meses.Ele, Francisco dos Santos, estava de passagem pela cidade e estava na praça fazendo divulgação do circo em que trabalhava e que tinha recém chegado ali.
Foi amor à primeira vista, diriam mais tarde. Tanto é que depois desta tarde, desta pracinha e da troca de alguns olhares lânguidos e compridos, 5 meses depois estavam c
asados contra a vontade da família de Ana, é claro, pois como era costume se dizer na época,“artista tem um amor em cada cidade”...Ele nasceu em 1919 e após a morte de seu pai, vai com a família para Marília [SP]. Como era um menino que gostava de música e era agitado, logo entra na banda local. Aos 18 anos além da Banda de Marília, começa a fazer parte de outro conjunto, como cantor e baterista.
Chega um circo na cidade, e ele consegue ser contratado pelo “Grande Circo Nova York”...

Faz logo uma amizade com o malabarista, de nome Natalício , passam horas a fio conversando durante o dia, e nos intervalos dos ensaios; nosso herói então, resolve aprender violão. Tocam e cantam juntos, então decidiram que poderiam formar uma dupla.
Natalício se chamaria CHOPE [de chopp] eFrancisco se chamaria CASCATINHA, que era o nome de uma cerveja bem conhecida e popular na época, sendo a
preferida de Noel Rosa, por exemplo...Existe uma outra versão, menos provável, para a origem do nome CASCATINHA: diz a lenda que quando ele era pequeno, gostava de cabular aula para se meter no meio do mato e tomar banho em uma pequena cascata que havia...
As fontes variam as informações; umas dão uma versão da origem do apelido, e outras, dão a outra.
Seja lá como for, aqui fica o registro...
Foi então que CHOPE & CASCATINHA passam por Araras para divulgar o “Grande Circo Nova York” onde trabalhavam
E nosso herói conhece Ana na tal pracinha que falei lá em cima...o ano era 1941.
Com CASCATINHA apaixonado e tendo se casado 5 meses depois deste encontro, a dupla inicial virou o TRIO ESMERALDA, já que agora tinha uma voz feminina.Vão para o Rio de Janeiro, e se apresentam num programa de calouros famoso na época: PAPEL CARBONO, de Renato Murce, que ia ao ar pela Rádio Nacional.
No Rio, houve um desentendimento sério entre CHOPE & CASCATINHA, e Chope resolve abandonar o trio e voltar para São Paulo.
O problema é que eles tinham um show marcado para aquela noite em Volta Redonda, e não poderiam se apresentar mais como trio.
Então Cascatinha tem a idéia de batizar Ana de “INHANA”, para intencionalmente ter um som mais de interior, mais caipira. Assim, surgiu a dupla CASCATINHA & INHANA.
No Rio,
em 1947, são contratados pelo circo “Estrela D’Alva”, que excursiona por São Paulo, onde nossa dupla é contratada pela Rádio Bauru, sob um contrato de 1 ano.Na capital de São Paulo, cantam por um bom tempo na Rádio América e em 1950 fazem parte do “cast” da Rádio Record, a emissora mais poderosa da época, onde assinam um contrato de 12 anos !
Em 1951, gravam seu primeiro disco, LA PALOMA, mas foi no ano seguinte, 1952, o grande est
ouro da dupla, quando seu segundo disco, um 78 rpm, traz de um lado MEU PRIMEIRO AMOR e do outro ÍNDIA, todas duas eram versões de músicas paraguaias.O sucesso de vendagem deste disco, foi uma coisa sem precedentes, que pegou todo mundo de surpresa, até mesmo despreparado, para a
repercussão que isto causou, principalmente pela época, que nem todas as casas tinham um aparelho de tocar discos. O rádio ainda era o grande astro como eletrodoméstico musical...Foi neste período da Rádio Record que CASCATINHA & INHANA ganharam o apelido que carregaram para sempre: OS SABIÁS DO SERTÃO.
Fizeram muito sucesso, foram muito premiados, e chegaram a ganhar
3 ROQUETE PINTO, em 1951, 1953 e 1954.Ganharam 6 DISCOS DEOURO, o que significava muito para época , e principalmente tendo-se em mente também o gênero musical. Não era comum cantores de música sertaneja [sertão do Brasil, e não sertão de Nashville, nos Estados Unidos]venderem tanto, receberem tantos prêmios e ganharem tantas capas de revista como nossa dupla ganhou.
Gravaram 34 discos de 78rpm, o que dá um total de 68 músicas, e mais 30 LP’s.
Os especialistas em música vocal e críticos da época, sempre elogiaram muito o timbre e a afinação de Inhana, e o casamento perfeito das vozes dos dois.
O belo timbre de soprano dela, aliado à uma sofisticada “segunda voz” dele, produziram um resultado sonoro da mais alta qualidade técnica.Nos anos 70 as vendas de seus discos começam a cair vertiginosamente, e Cascatinha resolver ser dono de um circo, plano que não deu muito certo, pois em pouco tempo
perdeu tudo. Faz então shows mambembes pelo interior, para arrecadar dinheiro e refazer o caixa do casal.Na cidade de São Paulo, em 1978 montam o espetáculo “ÍNDIA”, noteatro Alfredo Mesquita, onde intercalavam números musicais com suas histórias de vida.
Em junho de 1981, quando fariam um show no Maracanã, para comemorar tantos anos de casamento e carreira musical, Inhana tem um ataque cardíaco aos 57 anos, caminhando pelas ruas de São Paulo.
Assim, desta maneira trágica, a dupla OS SABIÁS DO SERTÃO chegaria ao fim...Cascatinha, ainda continuou se apresentando sozinho em shows pelo interior, e em algum programa de tv dedicado a este segmento musical, mas morre em 1996, em conseqüência de uma cirrose hepática.

Mas suas músicas ainda estão por aí, ainda podemos encontrar seus discos, que tenho certeza, continuarão a trazer belas lembranças a ouvintes comuns, assim como eu, em algum lugar neste imenso Brasil.
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